Higiene Íntima


Alguns médicos defendem o uso do sabonete íntimo. Outros preferem que a higiene seja feita apenas com água



Tomar banho com água morna evita o ressecamento da pele e, consequentemente, problemas como coceira

Quando o assunto é higiene íntima, não há uma verdade absoluta, sobretudo no que diz respeito ao uso do sabonete específico para a área.

Enquanto alguns médicos defendem o produto, outros preferem a limpeza somente com água.

Sabonete – Tem que usar
“A água remove 60% . O resto sai com o sabonete”

Isso porque somente um produto adstringente retira a gordura característica da vulva, que incorpora à região resíduos como papel, urina e fezes.

“Sem o sabonete, a mulher terá de esfregar bastante a área para obter uma higiene completa, o que pode causar irritação.

“Você não precisa de um sabonete específico para limpar bem a pele? Com a vulva é a mesma coisa.”

Em 2009, o médico conduziu uma revisão de 147 publicações que resultou no Guia Prático de Higiene Genital Íntima, publicado pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e 

Obstetrícia (Febrasgo). Voltado para especialistas, o manual preconiza que a escolha do sabonete obedeça a três critérios:

1) seja líquido (versões em barra muitas vezes são compartilhadas pela família);
2) tenha pH ácido semelhante ao da vulva (5 ou 6);
3) não possua compostos alergênicos. “Só há uma maneira de saber se você é alérgica a alguma marca: experimentando”, diz Giraldo.

Água – Faz a limpeza sozinha

“Os sabonetes íntimos ganharam fama por causa do marketing na sua divulgação”

“Para o dia a dia, recomendo somente a limpeza com água.” Carolina defende o uso do sabonete no máximo três vezes por semana. “É o suficiente para remover o sebinho que se acumula na vulva.” A utilização diária, além de desnecessária, pode disparar alergias.

A médica não é contrária aos sabonetes íntimos, mas os considera dispensáveis. “Qualquer variedade neutra de glicerina, mesmo em barra, faz o serviço com igual eficácia, sem interferir no pH.” 

A vagina tem pH ácido e é colonizada por lactobacilos, bactérias que formam uma barreira contra micro-organismos potencialmente infecciosos. Por isso, não interferir no pH é uma forma de prevenir corrimentos e coceiras. Nisso os médicos concordam.

Íntimo e pessoal

Quatro aspectos que você não deve ignorar na limpeza da vulva

1. Frequência

Varia de uma a três vezes por dia. Influenciam a quantidade: prática de atividade física, peso (obesas transpiram mais), biótipo (caia para trás: assim como a pele do rosto, a da vulva pode ser oleosa ou seca – acompanha a facial), período do mês (a menstruação pede cuidado extra) e estação do ano (quanto mais quente, mais lavagens). 

Excesso de limpeza, esclarecem os doutores, também é prejudicial: afeta as defesas locais e favorece o ataque de germes como a clamídia.

2. Temperatura da água



Tomar banho com água pelando resseca a pele do corpo e o couro cabeludo, certo? Com a genital não é diferente. Lavar-se com a água morna evita ressecamento e, consequentemente, problemas como coceira e fissuras.

3. Área de limpeza

Por tabu, desconhecimento e mito, as mulheres não tocam os genitais e não se higienizam adequadamente. 

“A lavagem deve incluir o monte púbico, a pele da vulva, a virilha, a região perianal – entre a vulva e o ânus – e o interior dos grandes e dos pequenos lábios”, diz Giraldo. 

Nunca, jamais, jogue jatos de água dentro da vagina – as chamadas duchas, feitas com chuveirinho. 

“No interior da vagina, há um equilíbrio de micro-organismos. Colocar água lá dentro pode alterar o pH e mandar os micro-organismos para o útero”, afirma Carolina.

4. Secagem

Tão importante quanto lavar-se é secar-se adequadamente. O excesso de umidade cria o ambiente ideal para a proliferação bacteriana. 

Depois do banho, utilize uma toalha de algodão, seca e limpa, que absorva toda a umidade das reentrâncias, internas e laterais.


Autores:
Paulo Cesar Giraldo
Carolina Ambrogini

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